Quando a porta se abriu, logo pude sentir o calor do salão. Aos primeiros passos, vi onde estava pisando, num imenso mosaico de formas que se repetiam como numa melodia. Aquele cheiro amadeirado, um pouco doce que me incitava a entrar naquele lugar a cada passo largo. Meus olhos não desgrudavam daquele desenho do chão, que ficava ainda mais interessante com a luz amarela que invadia pelos janelões.
Assim como o navegador que vai sem rumo encantado pela sereia, percebi que aquela fragrância me chamava a atenção para o outro lado do salão. E me deixei seguir por aquele instinto que até então jamais havia experimentado. Foi quando levantei os olhos e vi uma mulher de cabelos e olhos castanhos, magra e que me seduzia apenas pelo olhar. Mesmo daquela distância, pude perceber que ela não tinha mais do que uns 25 anos. Vestia uma calça justa, preta e uma camisa branca com os primeiros botões abertos, aparecendo a pele clara e sedosa. Eu fui chegando perto, sem conseguir conter a ansiedade de tomá-la em meus braços e poder beijá-la ardentemente.
Os olhares não se desviaram, foi como se o tempo parasse naquele momento. Tudo congelou, menos os nossos sentimentos. Quando estava a alguns passos dela, abruptamente ela abriu a camisa sem sequer desabotoar um daqueles botões brancos forrados. Deixou seus seios à amostra como querendo me presentear. E eu, numa fúria a beijei e a despi ainda mais. Nossos corpos arderam de prazer, se entregaram. Minha boca passeou naquela pele macia e clara. Vi cada curva do seu corpo reluzente sob os raios de sol amarelado de outono que penetravam na sala, pelos janelões.
Nossos corpos cansados e suados se entregaram. Momentos depois estávamos apenas nos acariciando, acalmadas pela saciedade do corpo. Foi quando olhei-a nos olhos, profundamente. Ouvi alguém chamando pelo meu nome, olhei para trás. E acordei.

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